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    <title>.:.   Fabricio Carpinejar   .:.</title>
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    <description>http://www.fabriciocarpinejar.blogger.com.br/ via voidstar.com</description>
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      <title>ESTOU AGORA NO BLOGSPOTDepois de seis anos no  ...</title>
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      <description>&lt;b&gt;ESTOU AGORA NO BLOGSPOT&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src=&quot;http://2.bp.blogspot.com/_EqVEQGOp4gI/SzlVGJ5-pVI/AAAAAAAAAFU/0uzQdvsbvSU/S640/cabe%C3%A73.jpg&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Depois de seis anos no blogger e mais de 1 milh&atilde;o de acessos, meu blog &lt;i&gt;deixa esse espa&ccedil;o&lt;/i&gt; e continua em outro endere&ccedil;o, agora no blogspot. Estava na hora de repor o guarda-roupa das cr&ocirc;nicas. A nova p&aacute;gina  permitir&aacute; uma maior intera&ccedil;&atilde;o com o leitor. Atualizem seus marcadores: &lt;a href=&quot;http://carpinejar.blogspot.com/ &quot;&gt;http://carpinejar.blogspot.com/ &lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;</description>
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      <title>OVOS QUEBRADOSArte de Arthur DoveFabr&iacute;cio Carpi ...</title>
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      <description>&lt;b&gt;OVOS QUEBRADOS&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Arte de Arthur Dove&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Fabr&iacute;cio Carpinejar&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src=&quot;http://www.fabriciocarpinejar.blogger.com.br/dove2.jpg&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chega um momento em que a rela&ccedil;&atilde;o precisa quebrar os ovos. &Eacute; bom estar preparado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser&aacute; como o trabalho dom&eacute;stico: transparente. Lava-se lou&ccedil;a, roupa, estende, retira os vincos com ferro, limpa casa, recolhe o lixo, arruma os brinquedos e os filhos nem reparam que tudo est&aacute; novamente no lugar e no arm&aacute;rio, apesar da bagun&ccedil;a feita recentemente. &Eacute; &oacute;bvio que n&atilde;o v&atilde;o agradecer. &Eacute; o que chamo de passado secreto. Aconteceu, mas n&atilde;o merece mem&oacute;ria. Entretanto, a raiva fica: n&atilde;o fui valorizado e resta um desmemoriado mal-estar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha namorada resolveu comer omelete. Ela j&aacute; fez o prato outras vezes em seu apartamento.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Estava em casa e me antecipei na captura dos ingredientes, louco para agrad&aacute;-la. Mas a minha men&ccedil;&atilde;o de executar a tarefa a desagradou. Entenda, &eacute; o passado secreto. O ardiloso passado secreto. Com minha efusiva disposi&ccedil;&atilde;o, ela desconfiou de que n&atilde;o gostava de suas omeletes e que somente agora, decorrido um ano, estava com coragem de falar.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Raciocinei que significava uma informa&ccedil;&atilde;o dispens&aacute;vel, meu modo era dourar os dois lados e o dela era envelopar a massa ao final, mas ela tratava o assunto com tamanha energia que at&eacute; me assustou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quer que eu fa&ccedil;a?&lt;br /&gt;- N&atilde;o gosta do jeito que fa&ccedil;o? &lt;br /&gt;- Gosto, &eacute; que eu mostraria minha predile&ccedil;&atilde;o...&lt;br /&gt;- Gosta nada, quem j&aacute; fez omelete para voc&ecirc;? Quer do jeito de quem? Confessa? &lt;br /&gt;- De ningu&eacute;m.&lt;br /&gt;- Ora, vai nessa, qual &eacute; a receita? Com queijo ralado, requeij&atilde;o, fatias? Por que nunca me disse que n&atilde;o gostava da minha omelete? Eu me sinto uma idiota...&lt;br /&gt;- Eu gosto, s&oacute; busquei uma maneira diferente. &lt;br /&gt;- Que maneira?&lt;br /&gt;(Da&iacute; eu me danei)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levaremos mais tempo discutindo na tentativa de prevenir a discuss&atilde;o. A conversa durou duas horas. Duas horas sobre absolutamente nada, a n&atilde;o ser o medo do que n&atilde;o foi vivido junto. Se aliso seu umbigo, acreditar&aacute; que repito um convite libidinoso com uma antiga namorada. Quanto mais a gente se entrega, maior &eacute; o p&acirc;nico de estar sozinho na doa&ccedil;&atilde;o, de ser uma miragem afetiva. Tanto que ap&oacute;s desfiar um &quot;eu te amo tanto&quot;, n&atilde;o ouse nunca mais declarar &quot;eu te amo&quot; - &eacute; como se amasse menos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ci&uacute;me est&aacute; dobrado em cada gesto, fazendo contas e pedindo estornos. N&atilde;o h&aacute; sa&iacute;da; passe manteiga na conversa, aque&ccedil;a a frigideira e admire os ovos quebrados na pia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Repare como o neg&oacute;cio &eacute; tinhoso. Durante as compras, no caixa, costumava perguntar se ela estava naquele momento com troco. N&atilde;o falava dinheiro, mas troco. Uso troco para tudo. Para qu&ecirc;? Ela j&aacute; formulou uma tese de que empregava o c&oacute;digo com a ex. Igual sina em nossas rotas rom&acirc;nticas. Relaxados, sozinhos e prontos para namorar, pe&ccedil;o que ela me alcance o champanhe do balde: - Por favor, me passe a &quot;champs&quot;? “Champs”? Feito o entrevero. Usava tamb&eacute;m esse dialeto com a ex. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grave &eacute; que ela tem raz&atilde;o. S&oacute; n&atilde;o desejava brigar, ainda mais quando n&atilde;o tenho defesa. Ela poderia ser mais justa e me dar tempo para preparar uma mentira. &lt;br /&gt;</description>
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      <title>QUANDO O PAI ESQUECE O FILHO DO PRIMEIRO CASAMENTO ...</title>
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      <description>&lt;b&gt;QUANDO O PAI ESQUECE O FILHO DO PRIMEIRO CASAMENTO&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Arte de Osvalter&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Fabr&iacute;cio Carpinejar &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src=&quot;http://vidabreve.com/wp-content/uploads/2009/12/Osvalter_Carpinejar_23_12-203x299.jpg&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um homem que se finge de burro &eacute; mais burro do que um burro honesto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me d&oacute;i &eacute; ver um pai casar de novo e esquecer o filho do primeiro casamento. Esquecer. Nenhum cart&atilde;o de Natal ou presente debaixo da lareira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&Eacute; que ganhou um herdeiro do segundo casamento, est&aacute; envolvido na escolha do enxoval, no an&uacute;ncio do jornal, em fumar charuto com o sogro e com aquela vaidade suprema de ostentar para sua esposa que &eacute; experiente e sabe segurar a crian&ccedil;a.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele apaga a casa anterior — com o que havia dentro dela — e se apega &agrave; casa recente. Entende que sua crian&ccedil;a ou adolescente cresceu o suficiente para n&atilde;o depender mais dele. Nenhum filho cresce o suficiente para ser &oacute;rf&atilde;o de repente, n&atilde;o importa a idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele filho a quem amava e criava com zelo, a quem aconselhava e trocava as fraldas passa a existir somente como uma pens&atilde;o, uma linha do seu contracheque. N&atilde;o pergunta. N&atilde;o telefona. N&atilde;o se encontra fora de hora. Est&aacute; muito ocupado criando um beb&ecirc;. O que d&aacute; para entender &eacute; que ele n&atilde;o ama o filho, mas a mulher com quem se encontra no momento. Faz qualquer coisa para agrad&aacute;-la, inclusive negar a paternidade do primeiro casamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&Eacute; do tipo ou tudo ou nada, ligado &agrave; figura masculina patriarcal, que oferece e tira conforme suas vantagens. N&atilde;o &eacute; bem um pai, mas um latifundi&aacute;rio emocional, desconfiado, sob permanente amea&ccedil;a de invas&atilde;o de suas terras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;M&atilde;e &eacute; diferente, sempre se elogia quando menciona seu filho. Mareja os olhos ao mexer na gaveta das camisas, coleciona bilhetes e desenhos, inventa uma por&ccedil;&atilde;o de neologismos no abra&ccedil;o. N&atilde;o se guarda para depois, para um melhor momento, est&aacute; disposta a conversar pressentimentos e costurar recorda&ccedil;&otilde;es.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pai costuma se omitir no momento do desabafo. &Eacute; comedido demais para estar vivo. Troca de personalidade, de resid&ecirc;ncia, de amor, o que precisar, no sentido de prevenir a sobrecarga de problemas. Para namorar, ele some por meses (exatamente o contr&aacute;rio da m&atilde;e, que administra o final de semana com o apoio da bab&aacute; e da av&oacute;). Homem ainda n&atilde;o conseguiu conciliar sua vida profissional com a afetiva. N&atilde;o &eacute; capaz de unir nem a vida afetiva pregressa com a vida afetiva atual. Cuida de um afeto por vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pai n&atilde;o forma sindicato, n&atilde;o cria associa&ccedil;&atilde;o. Continua defendendo que ningu&eacute;m tem o direito de se meter na vida dele e converte em inimigos os amigos que insinuam sua indisposi&ccedil;&atilde;o filial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele se separou de uma mulher, n&atilde;o do seu filho, mas culpa o filho porque n&atilde;o consegue completar uma frase com a ex. Parte do princ&iacute;pio de que ajudando o filho est&aacute; ajudando a ex. Gostaria de mat&aacute;-la, mas ent&atilde;o se mata para o filho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou entende que seu filho deve procur&aacute;-lo, cria paranoias e neuroses para aliviar sua culpa. Age como um ressentido, fala mal do filho do primeiro casamento para a mulher do segundo casamento, alegando ingratid&atilde;o. E a mulher do segundo casamento concorda com o absurdo porque est&aacute; preocupada com o nen&ecirc; e deseja a exclusividade do marido. E n&atilde;o entende que um irm&atilde;o depende do outro irm&atilde;o, que uma fam&iacute;lia n&atilde;o cresce por empr&eacute;stimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homem tem que aprender a sofrer em p&uacute;blico, sofrer por um filho o que sofre por uma dor de cotovelo, apanhar das c&oacute;licas e da coriza, desabar numa mesa de bar, beber interurbanos, fechar a rua e o sobrenome para encurtar dist&acirc;ncias, chorar nas apresenta&ccedil;&otilde;es escolares, fingir abandono a cada despedida, para s&oacute; assim mostrar que pai, pai mesmo, nunca ser&aacute; dispens&aacute;vel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src=&quot;http://vidabreve.com/wp-content/themes/vidabreve/images/carpinejar.jpg&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Coluna no site &lt;a href=&quot;http://www.vidabreve.com/&quot;&gt;Vida Breve&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;</description>
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      <title>DJsOs filhos Vicente Carpinejar, 7, e Mariana  ...</title>
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      <description>&lt;b&gt;DJs&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src=&quot;http://4.bp.blogspot.com/_JQncIitWkJI/SxHRIV6f7jI/AAAAAAAAAK8/ISCxpQmDdk8/S700/radio_dialcabec2.jpg&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os filhos &lt;b&gt;Vicente Carpinejar&lt;/b&gt;, 7, e &lt;b&gt;Mariana Carpinejar&lt;/b&gt;, 16, trocam m&uacute;sicas, fofocas e clipes pela rede. &Eacute; o blog &lt;b&gt;R&aacute;dio Mil Ponto Zero&lt;/b&gt;. &lt;a href=&quot;http://radiomilpontozero.blogspot.com/&quot;&gt;Sintonize&lt;/a&gt;. &lt;br /&gt;</description>
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      <title>YOUTUBEMinha namorada C&iacute;nthya Verri escreveu u ...</title>
      <link>http://feeds.com.br/go.php?url=http://boucheville.blogspot.com/</link>
      <description>&lt;b&gt;YOUTUBE&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src=&quot;http://www.fabriciocarpinejar.blogger.com.br/Bouchenew.jpg&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha namorada &lt;b&gt;C&iacute;nthya Verri&lt;/b&gt; escreveu uma cr&ocirc;nica muito engra&ccedil;ada sobre &lt;b&gt;Youtube&lt;/b&gt;, o teste final para escolher o parceiro. Em &lt;a href=&quot;http://boucheville.blogspot.com/&quot;&gt;Bouche Ville&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; </description>
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      <title>AUMENTE SUA DELICADEZA AT&Eacute; 28cmArte de Allen Jone ...</title>
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      <description>&lt;b&gt;AUMENTE SUA DELICADEZA AT&Eacute; 28cm&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Arte de Allen Jones&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Fabr&iacute;cio Carpinejar&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src=&quot;http://www.channel4.com/news/media/2008/06/week_1/allen_jones_380.jpg&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que leva o homem &agrave; impot&ecirc;ncia &eacute; o cuidado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que leva a mulher &agrave; frigidez &eacute; o cuidado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O excesso de cuidado. Cuidado demais ataca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca vi uma mulher ou um homem gostar sem criticar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O embara&ccedil;o do sexo n&atilde;o decorre da aus&ecirc;ncia de intimidade, mas da intimidade. E da cobran&ccedil;a que vem com ela. Mais f&aacute;cil gozar com estranhos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de partilhar meses e cadernos de jornal com nosso par, abandonamos o elogio. Passamos a cobrar e expor os defeitos para que sejam corrigidos. &Eacute; o cigarro, &eacute; a alimenta&ccedil;&atilde;o, &eacute; a distra&ccedil;&atilde;o, &eacute; o pouco caso com o dinheiro, &eacute; a indetermina&ccedil;&atilde;o do trabalho, &eacute; a pregui&ccedil;a. A conviv&ecirc;ncia traz a preocupa&ccedil;&atilde;o com o namorado ou a namorada e uma esquisita vontade de interferir.  Entre conhecer e mandar, &eacute; um passo. Ou um trope&ccedil;o. As mais duras agress&otilde;es n&atilde;o provocam hematomas, ocorrem em nome da sinceridade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor &eacute; confundido com pancadaria. Um teste de resist&ecirc;ncia. Uma prova de esgotamento nervoso. Se o outro n&atilde;o quer, que v&aacute; embora, que desista do pr&ecirc;mio maior que &eacute; a confian&ccedil;a. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;H&aacute; uma vis&atilde;o s&aacute;dica que n&atilde;o ajuda nem o masoquista. Falta medida. Falta parar e recome&ccedil;ar o namoro. Falta esquecer e perceber que o pr&oacute;prio passado n&atilde;o &eacute; imut&aacute;vel, n&atilde;o existe certo ou errado, que nem tudo por isso &eacute; duvidoso.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A efic&aacute;cia mata o erotismo. O aproveitamento total do tempo do relacionamento n&atilde;o colabora com a vaidade. Custa um agrado antes de transar? Uma meia-luz de palavras? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N&atilde;o estou pedindo para mentir, muito menos fingir, mas falar um pouco bem para acordar os ouvidos e despertar o interesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No in&iacute;cio, os joelhos s&atilde;o venerados, os ombros recebem moldura de madeira, os cabelos s&atilde;o alisados com a dec&ecirc;ncia de um espelho. As express&otilde;es afetuosas v&atilde;o e voltam, repetidas com diferentes timbres. Todo homem no come&ccedil;o &eacute;, ao mesmo tempo, um tenor, um bar&iacute;tono e um baixo. Toda mulher no come&ccedil;o &eacute;, ao mesmo tempo, uma soprano, uma mezzo e uma contralto. Dependendo da regi&atilde;o que toca, a voz muda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a rela&ccedil;&atilde;o firmada, a excita&ccedil;&atilde;o torna-se autom&aacute;tica. O corpo tem que pegar no tranco.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A devassid&atilde;o &eacute; trocada pela devassa terap&ecirc;utica. Desculpa e por favor saem de moda. Como existe o trabalho, a casa, o dia seguinte e terminou a paix&atilde;o (e somente os apaixonados s&atilde;o sobrenaturais e n&atilde;o sentem cansa&ccedil;o), o sexo pode ser mais pr&aacute;tico, mais direto, pode at&eacute; n&atilde;o ser. Na cama, estaremos falando dos problemas, das contas, do que deve ser mudado na personalidade. N&atilde;o encontraremos paci&ecirc;ncia diante do rel&oacute;gio. N&atilde;o vamos procurar cheirar a pele para atrair o beijo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu compreendo perfeitamente quando um homem broxa se a cada instante &eacute; lembrado de sua barriga. Eu compreendo perfeitamente quando uma mulher decide dormir quando sua lingerie nova n&atilde;o foi reparada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca acusamos quem a gente n&atilde;o conhece. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Julgamos infelizmente quem vive nos absolvendo. &lt;br /&gt;</description>
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      <title>O QUE O HOMEM DEVERIA ENXERGARArte de MatisseFa ...</title>
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      <description>&lt;b&gt;O QUE O HOMEM DEVERIA ENXERGAR&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Arte de Matisse&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Fabr&iacute;cio Carpinejar&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src=&quot;http://tnovaes.sites.uol.com.br/Matisse44061c.gif&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma faxineira me contou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela demorou muito tempo para entender a insatisfa&ccedil;&atilde;o de sua patroa.&lt;br /&gt;Lavava, arrumava, ordenava com esmero e recebia alguma reclama&ccedil;&atilde;o sobre a falta de capricho no fim do expediente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da onde tirava essa conclus&atilde;o?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela j&aacute; confiava na hip&oacute;tese de que n&atilde;o recebia elogio de prop&oacute;sito, para n&atilde;o se acomodar, que era um m&eacute;todo de supera&ccedil;&atilde;o. Ou uma maldade produtiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amea&ccedil;ou largar o endere&ccedil;o, desistir de convenc&ecirc;-la da injusti&ccedil;a, reclamou ao marido a tortura de viver esmolando elogio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ela acabou capturando o motivo da cisma constante e semanal. Libertou-se da d&uacute;vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A patroa n&atilde;o vistoriava a casa, n&atilde;o observava o conjunto, n&atilde;o conferia o ch&atilde;o ou as roupas dobradas. Talvez nem fiscalizasse o p&oacute; das mesas. Reparava em um &uacute;nico detalhe: os interruptores de luz. Se apareciam brancos e brilhantes, tomava como princ&iacute;pio que o trabalho foi bem feito. Quem lavava o interruptor pensaria em todo o resto. Logo ao acender a luz, a dona da resid&ecirc;ncia aprovava ou criticava o servi&ccedil;o. Nem lan&ccedil;ava as pupilas pelos aposentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa percep&ccedil;&atilde;o da patroa, que elege o &iacute;nfimo como senha da limpeza, e o cuidado da faxineira, que compreende a mensagem invis&iacute;vel, revelam as sutilezas femininas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem deveria ficar mais distra&iacute;do. S&oacute; a distra&ccedil;&atilde;o nos conduz ao indispens&aacute;vel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por exemplo, eu enlouque&ccedil;o com mulher que mexe os brincos no meio de uma conversa. H&aacute; um desinteresse charmoso nesta atitude. Quase um desprezo desafiador. Redobro as gentilezas. Ofere&ccedil;o o que ela n&atilde;o ousou pedir. Sinto que vou perd&ecirc;-la no pr&oacute;ximo instante, que algo que lembrou supera a minha voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para me torturar, ela vira o pesco&ccedil;o sutilmente ao lado. Tal apresentadora atendendo a um ponto dos produtores. N&atilde;o posso acus&aacute;-la de indiferen&ccedil;a - mant&eacute;m os olhos no meu rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comemoro sua sofistica&ccedil;&atilde;o, a complexidade dissimulada. Concluo que esteja conversando com seus dem&ocirc;nios. E que o dem&ocirc;nio no ombro direito amea&ccedil;a, bem desaforado:&lt;br /&gt;- &Eacute; sempre dia para o corpo. Vai, abra&ccedil;a esse canalha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J&aacute; a percebo como uma feiticeira, uma bruxa, uma doida, que est&aacute; definindo sua vida tocando as curvas do l&oacute;bulo. &Eacute; o detalhe que decide. O detalhe conspira, inunda, confunde. Ela diz sim a partir dos ouvidos mais do que da boca. O ouvido tem que gostar de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso minha escola s&atilde;o os interruptores de luz: uma mulher fica realmente nua quando tira os brincos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Depoimento especial para &lt;a href=&quot;http://versosdefalopio.blogspot.com/&quot;&gt;Versos de Fal&oacute;pio&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Da s&eacute;rie &quot;Homem de domingo&quot;&lt;br /&gt;Publicado em 20/12/2009&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;</description>
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      <title>MINHA CATEQUISTAArte de Gerhard RichterFabr&iacute;cio ...</title>
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      <description>&lt;b&gt;MINHA CATEQUISTA&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Arte de Gerhard Richter&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Fabr&iacute;cio Carpinejar&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src=&quot;http://i.telegraph.co.uk/telegraph/multimedia/archive/01131/arts-graphics-2008_1131881a.jpg&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Intelectual traz o ate&iacute;smo como pr&eacute;-requisito. Confiar em Deus &eacute; sin&ocirc;nimo de ingenuidade, de burrice, de falta de conhecimento hist&oacute;rico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que estamos sendo enganados, no fundo do po&ccedil;o e nos agarramos no desespero da reza. Entre os amigos incr&eacute;dulos, &eacute; previs&iacute;vel que pintar&aacute; Darwin na discuss&atilde;o para mostrar que a B&iacute;blia n&atilde;o aconteceu. Concordo que a B&iacute;blia n&atilde;o aconteceu, &eacute; uma par&aacute;bola, ela est&aacute; acontecendo sempre. Agora, por exemplo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu acredito em Deus, posso perder os leitores antes do serm&atilde;o. ACREDITO. Porque tive uma catequista, Ester, que acreditou em mim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;S&oacute; acredita em Deus quem um dia foi acreditado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ester n&atilde;o me obrigou a colocar agulha no cora&ccedil;&atilde;o de Jesus, a purgar confiss&otilde;es de joelhos, n&atilde;o dobrou a culpa pelos meus pecados, n&atilde;o retorquiu minhas distra&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o censurou minha liberdade de a&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o me pediu para n&atilde;o morder a h&oacute;stia, nem me coibiu a n&atilde;o pensar bobagens. Ela me aceitou inteiramente, como sou e n&atilde;o sou. Ela me convenceu com uma &uacute;nica virtude (e tinha v&aacute;rias): o senso de humor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca conheci algu&eacute;m com tamanha gentileza. Ela falava baixinho e sorria para explicar passagens dos evangelhos. Eu me aproximava para ouvi-la melhor. Ouvir mais o riso do que a voz. Seus olhos se apequenavam, chineses, cordiais, antecipando a gola branca da primeira comunh&atilde;o. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N&atilde;o era inquisidora. N&atilde;o abria inqu&eacute;ritos dos defeitos. Havia uma leveza que n&atilde;o existe no moralista. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis o grande problema do moralista: ele n&atilde;o ri. Repare. &Eacute; azedo, carrancudo, quer nos passar a limpo, n&atilde;o se duvida em nenhum momento, age como um exterminador dos erros, um desfragmentador de disco. Quem n&atilde;o ri n&atilde;o inspira confian&ccedil;a, sugere uma vida mesquinha e ingrata, com as escolhas decididas pelo medo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Ester &eacute; feliz. Feliz com os filhos e netos. Feliz com as suas amizades. Feliz &agrave; toa como um gr&atilde;o de mostarda tingindo o bico de um p&aacute;ssaro. E n&atilde;o disputava para ser mais certa do que uma crian&ccedil;a de sete anos. N&atilde;o me inferiorizava com sua sabedoria e suas met&aacute;foras, ela me inclu&iacute;a em sua f&eacute;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preservo a inoc&ecirc;ncia auditiva daquela &eacute;poca, n&atilde;o duvido do invis&iacute;vel da inf&acirc;ncia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No momento em que uma crian&ccedil;a diz enxergar fantasmas, duendes, gnomos e amigos imagin&aacute;rios, os pais t&ecirc;m o h&aacute;bito de duvidar da veracidade, ca&ccedil;ar ajuda m&eacute;dica, recorrer &agrave; assist&ecirc;ncia escolar, n&atilde;o dormir jurando que &eacute; um problema de personalidade. Al&eacute;m de alegar que essas coisas n&atilde;o existem, questionam o valor da pr&oacute;pria imagina&ccedil;&atilde;o. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ceticismo adulto desestimula que o pequeno supere as apar&ecirc;ncias, que enrique&ccedil;a o cotidiano com mist&eacute;rios e poesia. Bloqueia a fantasia logo no esplendor de sua espontaneidade, como a provar que somente importa o que &eacute; real e o que pode ser comprado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evidente que o filho n&atilde;o vai acreditar em Deus, o grave &eacute; que n&atilde;o vai acreditar em si. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src=&quot;http://revistacrescer.globo.com/ImageShow/0,,186249,00.jpg&quot;&gt; &lt;br /&gt;&lt;b&gt;Publicado na minha coluna &quot;Primeiras Inten&ccedil;&otilde;es&quot; &lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;http://www.revistacrescer.com.br&quot;&gt;Revista Crescer&lt;/a&gt;, S&atilde;o Paulo, P. 60, N&uacute;mero 193, Dezembro de 2009&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;</description>
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      <title>“APRENDI A VELEJAR USANDO O SIL&Ecirc;NCIO”Foto de Rica ...</title>
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      <description>&lt;b&gt;“APRENDI A VELEJAR USANDO O SIL&Ecirc;NCIO”&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Foto de Ricardo F&uuml;chs&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Schneider Carpeggiani &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;carpeggiani@gmail.com &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src=&quot;http://www.fabriciocarpinejar.blogger.com.br/brigaderua.JPG&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fabr&iacute;cio Carpinejar nunca ser&aacute; um poeta “soneto”. Ou seja: um poeta tradicional, que faz o esperado. Talvez por isso ele consiga ser mais popular entre o p&uacute;blico que entre a cr&iacute;tica (feito raro, tratando-se de poesia). Ap&oacute;s transformar o consult&oacute;rio sentimental do seu blog num livro, ele compilou as experi&ecirc;ncias po&eacute;ticas do seu Twitter num livro que tem como nome o endere&ccedil;o do seu microblog, www.twitter.com/fabriciocarpinejar. Nessa conversa, ele fala de provoca&ccedil;&otilde;es e define sua obra em 140 caracteres. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;JORNAL DO COMMERCIO - Voc&ecirc; &eacute; um poeta, e a poesia &eacute; uma constru&ccedil;&atilde;o cerebral, met&oacute;dica, o oposto do Twitter, que &eacute; feito para apreender o instante do internauta. Como voc&ecirc; encontra o equil&iacute;brio desses dois mundos?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;FABR&Iacute;CIO CARPINEJAR –&lt;/b&gt; Dizem que Jo&atilde;o Cabral &eacute; cerebral, acredito que ele &eacute; emocional. A investiga&ccedil;&atilde;o n&atilde;o elimina o rel&acirc;mpago. O pensamento n&atilde;o elimina o desejo. O estudo n&atilde;o elimina a intui&ccedil;&atilde;o. &Eacute; um erro supor que aquilo que dedicamos mais tempo deixa de ser espont&acirc;neo. Assim como a poesia, o Twitter corta. Igualmente intenso, ferino. Procura tamb&eacute;m observa&ccedil;&otilde;es inusitadas do cotidiano, contraria expectativas, espalha ilumina&ccedil;&otilde;es ou sombras num espa&ccedil;o breve, empareda o leitor. Talvez n&atilde;o seja uma navalha, talvez n&atilde;o seja um bisturi, armas cultas e s&aacute;bias de incis&atilde;o. O Twitter coloca o poeta em briga de rua, o mais adequado &eacute; v&ecirc;-lo como um canivete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;JC - Os tais 140 caracteres do Twitter, para voc&ecirc;, &eacute; uma limita&ccedil;&atilde;o ou a provoca&ccedil;&atilde;o de uma esp&eacute;cie de formato po&eacute;tico?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;CARPINEJAR –&lt;/b&gt; Uma provoca&ccedil;&atilde;o saborosa. &Eacute; selecionar, sugerir. Como poeta, aprendi a velejar usando o sil&ecirc;ncio a meu favor. &Eacute; o sil&ecirc;ncio que d&aacute; velocidade ao verso. Quanto menor o aforismo, mais denso. &Eacute; um laborat&oacute;rio da s&iacute;ntese, do bom humor. S&oacute; sentiremos a alegria da v&iacute;rgula quando as frases s&atilde;o curtas. Ser&aacute; uma v&iacute;rgula desejada, aguerrida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;JC - Voc&ecirc; parece que gosta de usar a internet como um meio de provoca&ccedil;&atilde;o: o consult&oacute;rio sentimental do seu blog virou um livro e agora o mesmo ocorre com o Twitter. Voc&ecirc; &eacute; um autor em busca do formato ideal?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;CARPINEJAR –&lt;/b&gt; Eu gosto de tudo que &eacute; provoca&ccedil;&atilde;o. Um namoro come&ccedil;a com o casal brigando (pena que termina com o casal brigando). N&atilde;o estou procurando um formato ideal, apenas n&atilde;o sou busto para me fixar em gesso. A mais surpreendente literatura vem quando n&atilde;o esperamos literatura. Brinco de esconde-esconde po&eacute;tico em diferentes suportes. Minha paix&atilde;o &eacute; dar susto. Nasci feio, j&aacute; tenho p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em assombros. Onde ningu&eacute;m me espera, l&aacute; estarei com meu lirismo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;JC - Essas tentativas suas com a internet seriam um sinal de que voc&ecirc; estaria...&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;CARPINEJAR –&lt;/b&gt; Farejando o tempo. Eu concordo com Elias Canetti: o poeta &eacute; o c&atilde;o do seu tempo. Meter o focinho &uacute;mido nas mentiras, n&atilde;o deixar nada de fora, ser insaci&aacute;vel em sua curiosidade, revirar o lixo da linguagem para salvar signific&acirc;ncias. Desde pequeno, lustro moedas antigas. Sei que o melhor brilho parte de coisas abandonadas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;JC - H&aacute; algum plano para voc&ecirc; voltar ao formato liter&aacute;rio mais tradicional e quase &eacute;pico de livros como &lt;i&gt;Cinco Marias&lt;/i&gt;?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;CARPINEJAR –&lt;/b&gt; N&atilde;o sei se &eacute; &eacute;pico, &lt;i&gt;Cinco Marias&lt;/i&gt; &eacute; um livro irrepet&iacute;vel, centrado no jogo, com a troca de vozes entre os personagens e um final jornal&iacute;stico que duplica a leitura. Onde cheguei mais perto do teatro. Preparo um livro de poemas, lentamente, que tem como ponto de partida a alegria, a leveza e a gra&ccedil;a. Ser&aacute; o primeiro livro da l&iacute;ngua portuguesa traduzido para a l&iacute;ngua portuguesa. Eu vou me traduzir. Um poema na p&aacute;gina e a tradu&ccedil;&atilde;o embaixo, numa nota de rodap&eacute;. Divertido, n&eacute;? Para ningu&eacute;m mais falar que a poesia &eacute; herm&eacute;tica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;JC - &Uacute;ltima pergunta: como voc&ecirc; descreveria o atual momento da sua literatura em 140 caracteres?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;CARPINEJAR –&lt;/b&gt; Arrua&ccedil;a &eacute; uma alegria desesperada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Publicado no &lt;a href=&quot;http://jc3.uol.com.br/jornal/2009/12/17/can_13.php#&quot;&gt;Jornal do Commercio&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Caderno C, Recife (PE), 17/12/09&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;</description>
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      <title>MEU CARRO EST&Aacute; OUVINDOArte de OsvalterFabr&iacute;cio  ...</title>
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      <description>&lt;b&gt;MEU CARRO EST&Aacute; OUVINDO&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Arte de Osvalter&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Fabr&iacute;cio Carpinejar&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src=&quot;http://vidabreve.com/wp-content/uploads/2009/12/vida_breve-carro-300x192.jpg&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;H&aacute; uma &uacute;nica divis&atilde;o de classe no pa&iacute;s: os que t&ecirc;m ar-condicionado e os que se abanam de qualquer jeito. As outras injusti&ccedil;as s&atilde;o decorrentes dessa partilha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O compressor de meu carro quebrou. Depois de dois anos de ar refrigerado, obriguei-me a dirigir com as janelas abertas do ve&iacute;culo. Aconteceu na pior hora, em pleno dezembro, no ver&atilde;o escaldante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um susto de mundo. Na brisa artificial, s&oacute; ouvia m&uacute;sica, meus pensamentos, meus segredos, em paz como uma boia nas &aacute;guas de Cancun. Apresentava a seguran&ccedil;a de uma cabine telef&ocirc;nica. Gesticulava quando algu&eacute;m cometia uma barbeiragem e, em seguida, retomava o f&ocirc;lego como se nada houvesse acontecido. O ar-condicionado era o vidro fum&ecirc; dos ouvidos. Trazia um esquecimento instant&acirc;neo das agress&otilde;es ao volante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com os vidros arriados, a percep&ccedil;&atilde;o mudou radicalmente. Escutava o zumbido da rua, os gritos dos vendedores, o atropelo da sa&iacute;da das escolas, a avalanche das compras natalinas. Tal surdo que recupera a audi&ccedil;&atilde;o de repente e n&atilde;o entende o som. O som &eacute; muito violento para entender. Entrei numa rave, numa balada, n&atilde;o assimilando o ritmo para dan&ccedil;ar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parava um instante na faixa de seguran&ccedil;a e representantes de caridade pulavam na minha porta, para oferecer canetas, adesivos, balas, rapaduras, camisinhas. Uma feira m&oacute;vel fechava o meio-fio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espantei-me com a velocidade das pernas dos meninos, com a tra&ccedil;&atilde;o das cadeiras de roda. Faziam fila para me oferecer e pedir dinheiro. Mais organizados do que pit stop de F&oacute;rmula 1. Fiquei vulner&aacute;vel para as garotas das construtoras. Amontoei folhetos de pr&eacute;dios paradis&iacute;acos na poltrona ao lado, que apenas tinham a fun&ccedil;&atilde;o de diminuir o tamanho da minha casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os motores do carro voltaram a ter barulho, e os canos de escapamento tossiam de pneumonia. Um chevette velho feria monstruosamente a sensibilidade. Enchia-me de piedade de seu motorista. Quase ofereci reboque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de repetir os caminhos de sempre, entrei em outra cidade, as ruas pareciam mais apertadas, o engarrafamento mais longo, os atrasos inexplic&aacute;veis. Um ansioso como eu atingia o avesso do nirvana: a histeria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um caminh&atilde;o fechou a frente num contorno, recuei e buzinei cheio de autoridade. Antes seguiria reto, engolindo o desaforo. Mas ouvi o motorista xingando com vol&uacute;pia, ofendendo minha m&atilde;e, meu pai e minhas unhas pintadas. Barbudo, enxergava seu bra&ccedil;o tatuado de Betty Boop me mandando para um lugar bem animado. Aquilo ferveu as sobrancelhas. J&aacute; estava discutindo junto, reduzindo a velocidade, numa corrida de bigas, um racha, trancando os carros atr&aacute;s. Percebi no momento que n&atilde;o sabia nem ofender, apenas reclamava educadamente. Ele falava: FDP, C., M.. O m&aacute;ximo que consegui pronunciar foi: Seu troglodita! O que me soou muito feminino para o momento e adequado para o esmalte pistache que usava. Lamentei minha performance no conflito, estava realmente destreinado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nunca tomei uma atitude destemperada, nunca cedi &agrave; explos&atilde;o: eram os vidros abertos. Antes n&atilde;o ciscava o que me respondiam, agora entrei para o cinema falado. A palavra machuca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src=&quot;http://vidabreve.com/wp-content/themes/vidabreve/images/carpinejar.jpg&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Coluna no site &lt;a href=&quot;http://www.vidabreve.com/&quot;&gt;Vida Breve&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;</description>
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      <title>EFEITO JACAR&Eacute;Arte de Peter BlakeFabr&iacute;cio Carpin ...</title>
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      <description>&lt;b&gt;EFEITO JACAR&Eacute;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Arte de Peter Blake&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Fabr&iacute;cio Carpinejar&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src=&quot;http://www.rca.ac.uk/UploadedImages/Peter%20Blake.jpg&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda rela&ccedil;&atilde;o tem um efeito Jacar&eacute;. Ele engole pessoas ainda vivas. Tritura amores. Cuidado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui procurar uma meia na lavanderia de minha namorada. Achei um saco de brinquedos. Num canto. Mexi com o tato: h&eacute;lices, bonecas, corda de pular, quebra-cabe&ccedil;a. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que &eacute; isso, C&iacute;nthya?&lt;br /&gt;- O qu&ecirc;?&lt;br /&gt;- Esse saco de brinquedos aqui atr&aacute;s?&lt;br /&gt;- Pe&ccedil;as do meu consult&oacute;rio antigo, quando atendia crian&ccedil;as. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observei o estado de abandono das pe&ccedil;as, exalando a condi&ccedil;&atilde;o de trastes, empoeirados e sem uso. Retirei todos para espiar se localizava algum fetiche de minha inf&acirc;ncia. Virei a lona no ch&atilde;o e j&aacute; n&atilde;o me importava que estava descal&ccedil;o. Do p&acirc;ntano, saltou um jacar&eacute;. Bonito, de borracha, do tamanho de uma t&aacute;bua de passar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pulei de faceirice como quem reencontra um par de luvas. Combina com a minha estante, pensei. Vou colocar na ala infantil, chamar&aacute; aten&ccedil;&atilde;o. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele momento, eu me fardei de pet shop. Levei o bichinho para lavar. Retirei as manchas, a sujeira, esfreguei suas escamas, ainda dei ao luxo de aquec&ecirc;-lo com o secador. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jacar&eacute; rejuvenesceu, j&aacute; era um filhote de jacar&eacute;. Lustrado. Cintilante.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sala, comuniquei minha decis&atilde;o para C&iacute;nthya:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Peguei o Jacar&eacute; para mim. &lt;br /&gt;- Que jacar&eacute;?&lt;br /&gt;- Este! (retirei das costas como um buqu&ecirc;). Arrumei e aprontei para sair comigo. Vou levar para meu escrit&oacute;rio.&lt;br /&gt;- N&atilde;ooooooooooooooooo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A negativa me magoou. N&atilde;o absorvi o tranco. Imaginei que estivesse tro&ccedil;ando, fazendo charme. Mas ela lan&ccedil;ou tent&aacute;culos na minha dire&ccedil;&atilde;o e puxou o jacar&eacute; para perto dos seus seios. Com a viol&ecirc;ncia de uma m&atilde;e recente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentei argumentar:&lt;br /&gt;- Largou o bicho, imundo. N&atilde;o duvido que permaneceu parado naquele lugar h&aacute; tr&ecirc;s anos. E agora banca a interessada? &lt;br /&gt;- N&atilde;o importa, &eacute; meu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&Eacute; muito ego&iacute;smo, deduzi. E comecei a enumerar as minhas tentativas frustradas de levar algo de seu apartamento. Reclamei de sua possessividade, da aus&ecirc;ncia absoluta de gentileza. Demonizei a namorada, faltou somente colocar a bata negra da Inquisi&ccedil;&atilde;o e armar o fogo.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bati a porta e n&atilde;o me despedi. Desci lento as escadas, aguardando que ela se arrependesse. Sempre parto devagar, esperando um pedido de desculpa s&ocirc;frego pelo corredor, dando chance para que ela me alcance pelo grito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N&atilde;o correu atr&aacute;s de mim, muito menos caminhou. N&atilde;o era isso que queria mesmo. A verdade &eacute; que n&atilde;o desejamos que a namorada corra para nos buscar, desejamos que ela rasteje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdi o jacar&eacute;. Ali&aacute;s, n&atilde;o perdi o jacar&eacute;, n&atilde;o era meu, n&atilde;o ganhei o jacar&eacute; simplesmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por pouco, n&atilde;o fui engolido pela avareza. O orgulho &eacute; a mais grave avareza. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descobri que o ego&iacute;sta era eu. Eu &eacute; que entrei em seu espa&ccedil;o, mexi em suas lembran&ccedil;as, retirei um objeto qualquer, sem perguntar que valor tinha para ela, quem havia oferecido, sua hist&oacute;ria. V&aacute; l&aacute; que seja lembran&ccedil;a de um amigo que morreu ou um presente de uma amiga que n&atilde;o v&ecirc; mais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&Eacute; a mania de desfalcar quem amamos pelo ideal de despojamento. H&aacute; uma concep&ccedil;&atilde;o equivocada no relacionamento de que n&atilde;o deve persistir limites na entrega. Com limites, acusamos que n&atilde;o &eacute; mais amor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproveitando a culpa, os amantes s&atilde;o os piores trambiqueiros, esquecem o valor dos detalhes, tiram vantagem em cada gesto.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&Eacute; o mesmo que entrar no quarto do filho e colocar, de modo arbitr&aacute;rio, roupas fora. Entregaremos justo sua camisa predileta ou a mais confort&aacute;vel para a Campanha do Agasalho.  &Eacute; o mesmo que promover uma limpeza nas gavetas da crian&ccedil;a e eliminar tampinhas de garrafa, confiando que aquilo &eacute; um lixo imperdo&aacute;vel, sem adivinhar que serviam para sinalizar a pista de pouso dos avi&otilde;es de guerra.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada pe&ccedil;a da casa &eacute; contaminada pela imagina&ccedil;&atilde;o do seu dono, revestida da mem&oacute;ria afetiva de seu uso. N&atilde;o seria conservada se n&atilde;o fosse importante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N&atilde;o desfrutei de nenhuma educa&ccedil;&atilde;o, poderia ao menos questionar qual o nome do jacar&eacute;. Recolhi o animal com a pretens&atilde;o de que cuidaria melhor dele. Deixei de cuidar de minha namorada. &lt;br /&gt;</description>
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      <title>DEPOIS DE TANTO TEMPOArte de ModiglianiFabr&iacute;cio ...</title>
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      <description>&lt;b&gt;DEPOIS DE TANTO TEMPO&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Arte de Modigliani&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Fabr&iacute;cio Carpinejar&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src=&quot;http://www.fabriciocarpinejar.blogger.com.br/Amadeo_Modigliani_027.jpg&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O maior segredo do amor n&atilde;o &eacute; por que amamos, mas por que deixamos de amar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem procure recapitular o que bebeu na noite anterior. N&atilde;o tomou nada. &Eacute; a ressaca da sobriedade. Um imperioso repuxo da boca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A descoberta &eacute; sutil como perder um prendedor de cabelo. Quase insignificante como um enjoo, um cansa&ccedil;o. A consci&ecirc;ncia surgiu por acaso, sua origem n&atilde;o &eacute; bem certa, de repente na hora de escovar os dentes ou ao regar as plantas ou ao atender o interfone. N&atilde;o tem l&oacute;gica. Sa&iacute;mos do centro de gravidade que nos tornava absolutamente dependente dos gestos e das atitudes do outro. Estamos livres para pensar sozinhos e, ao mesmo tempo, presos para sempre na incompreens&atilde;o. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desamor &eacute; t&atilde;o fulminante quanto a atra&ccedil;&atilde;o, mas com consequ&ecirc;ncias embara&ccedil;osas. Como abandonar a milit&acirc;ncia, a ideologia, e n&atilde;o ser visto como um traidor? Como narrar o que n&atilde;o tem enredo e reunir sentido em frases soltas e ensimesmadas? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer um vai se envergonhar de contar, trata-se de um sopro, n&atilde;o mais de uma voz. N&atilde;o &eacute; algo para perguntar, est&aacute; resolvido, fertilizado de impress&otilde;es. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que &eacute; duro sair de casa sem um motivo. Duro encarar quem amamos tanto tempo sem oferecer nenhuma explica&ccedil;&atilde;o adequada e convincente para o fim. Duro conversar sem mesmo entender como ocorreu a passagem de lado, de uma fidelidade extrema e desesperada &agrave; indiferen&ccedil;a. Duro executar a tarefa, sabendo que algu&eacute;m aguarda ansiosamente uma palavra para desaguar os tra&ccedil;os, uma palavra onde possa colocar a culpa e amaldi&ccedil;oar nosso nome. Esse algu&eacute;m precisa da palavra que n&atilde;o temos, como um pai ou uma m&atilde;e do corpo desaparecido do filho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vive-se a trag&eacute;dia de n&atilde;o ter uma trag&eacute;dia para desencadear a briga. N&atilde;o haver&aacute; uma causa espec&iacute;fica para a dist&acirc;ncia. Fugiremos do contato visual, por n&atilde;o corresponder mais &agrave;s expectativas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Receberemos a fama de mentiroso, de fraco, de que estamos escondendo a verdade. Muitos for&ccedil;am uma causa, para descontar o pre&ccedil;o da loucura. Muitos revisam os &uacute;ltimos movimentos para justificar o t&eacute;rmino. Muitos mentem para n&atilde;o passar trabalho. Muitos tentam diminuir a injusti&ccedil;a inventando fatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que aumenta a penumbra &eacute; que incrivelmente nunca mais encontraremos nosso par, apesar de viver na mesma cidade, frequentar o mesmo bairro, dividir gostos semelhantes. Nenhum esbarr&atilde;o no mercado ou no banco. Os amigos em comum apagam as pistas. N&atilde;o d&aacute; para compreender se mudamos os h&aacute;bitos ou os h&aacute;bitos n&atilde;o nos pertenciam mesmo e quer&iacute;amos agradar pensando que eram nossos.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha namorada reviu seu ex num bar. Ele estava acuado com o imprevisto, cumprimentou nervoso ao inv&eacute;s de ajudar o rosto a sorrir. Ela foi &aacute;gil, venceu as cadeiras de ferro, as mesas truncadas, esfor&ccedil;ou seu quadril para criar interesse e perguntou o que ele andava fazendo. Eu assisti ao enlace esperando o momento de ser apresentado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sondei o que passou pela cabe&ccedil;a de C&iacute;nthya: aquele rapaz simp&aacute;tico, de cabelos compridos e &oacute;culos ing&ecirc;nuos, foi um dia seu melhor, que ela tamb&eacute;m foi um dia o melhor dele. Ela tinha que mostrar ternura e n&atilde;o me ferir de ci&uacute;me. Ele tinha que apresentar confian&ccedil;a e n&atilde;o se abalar comigo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A emo&ccedil;&atilde;o ficou represada ou talvez j&aacute; houvesse secado. A quest&atilde;o &eacute; que n&atilde;o se falavam durante cinco anos. Idealizaram um reencontro que n&atilde;o aconteceu. N&atilde;o existe justi&ccedil;a depois da separa&ccedil;&atilde;o. &lt;br /&gt;</description>
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      <title>ARQUIVO SECRETOArte de Jean CocteauFim do Cam ...</title>
      <link>http://feeds.com.br/go.php?url=http://rolocompressor.zip.net</link>
      <description>&lt;b&gt;ARQUIVO SECRETO&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Arte de Jean Cocteau&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src=&quot;http://www.fabriciocarpinejar.blogger.com.br/cocteau.jpg&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fim do Campeonato Brasileiro, melhores do ano, mas alguma coisa continua errada no futebol: a homossexualidade debaixo do tapete do gramado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Rolo Compressor&lt;/b&gt; n&atilde;o tem medo de ofensa da torcida:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&quot;N&atilde;o h&aacute; sequer um jogador de futebol que se assumiu gay no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N&atilde;o houve um &uacute;nico homem de fibra que disse em qualquer microfone de qualquer r&aacute;dio em qualquer partida: &lt;i&gt;Queria mandar um abra&ccedil;o ao meu marido&lt;/i&gt;.&quot;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leia &lt;a href=&quot;http://rolocompressor.zip.net&quot;&gt;a cr&ocirc;nica&lt;/a&gt; e deixe seu palpite. &lt;br /&gt;</description>
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      <title>A HIERARQUIA DA CARNEArte de OsvalterFabr&iacute;cio C ...</title>
      <link>http://feeds.com.br/go.php?url=http://www.vidabreve.com/</link>
      <description>&lt;b&gt;A HIERARQUIA DA CARNE&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Arte de Osvalter&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Fabr&iacute;cio Carpinejar &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src=&quot;http://vidabreve.com/wp-content/uploads/2009/12/Osvalter_Carpinejar_09_121.jpg&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando entramos numa churrascaria, esquecemos o bom senso. Ficamos meio primitivos, animais rosnando, sem tempo de repor o guardanapo na boca. A vontade &eacute; pegar a carne com as pr&oacute;prias m&atilde;os, cortar com os dentes e sentir o sangue escorrer pelo queixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&Eacute; o fim da etiqueta. N&atilde;o h&aacute; declara&ccedil;&atilde;o de casamento que possa ser feita num espeto-corrido. O noivo abrir&aacute; a caixinha aveludada do anel com as m&atilde;os gordurosas? Como come&ccedil;ar&aacute; o assunto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Amor, queria dizer algo importante…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— O qu&ecirc;?, a poss&iacute;vel noiva tenta se desvencilhar do bife e acelerar as mordidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Tudo bem, eu espero terminar o peda&ccedil;o…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;S&oacute; que chega outro e outro e outro peda&ccedil;o e n&atilde;o existe pausa de cinco minutos para uma confiss&atilde;o arrebatada. E o poss&iacute;vel noivo suar&aacute; frio, assustado com o n&uacute;mero de pedidos de sua musa e logo vai concluir que n&atilde;o ter&aacute; dinheiro suficiente para manter o relacionamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda mesa &eacute; uma jaula com fome. O espeto corrido tem suas artimanhas, toalha de mesa de papel, que ser&aacute; retirada com o novo cliente, palitos Gina para usar tanto na denti&ccedil;&atilde;o como de colher no cafezinho, e os potes de farinha branca e mista, que servem para a crian&ccedil;a brincar de escorregador no prato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que predomina no sal&atilde;o &eacute; uma melancolia de ossos. Um sentimento de inferioridade na sa&iacute;da, uma desilus&atilde;o de que nunca seremos capazes de dar conta do recado. H&aacute; um desespero auditivo, com ofertas das mais diversas carnes disparadas de todos os lados, um desespero olfativo, complicado diferenciar os cheiros, e um desespero gustativo, o medo de perder aquela joia da brasa, o que impele o fregu&ecirc;s a aceitar indiscriminadamente o que aparece pela frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Churrascaria &eacute; uma festa de fam&iacute;lia somente com desconhecidos. &Eacute; muita intimidade para ser partilhada com estranhos. Imposs&iacute;vel ser educado, n&atilde;o arrotar, n&atilde;o cometer alguma gafe. &Eacute; coisa para vikings.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas h&aacute; uma hierarquia secreta entre os gar&ccedil;ons, que poucos reparam, t&atilde;o concentrados em compensar o valor do rod&iacute;zio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J&aacute; enxergou jovem segurando o espeto de picanha? Claro que n&atilde;o. &Eacute; arte para veterano. O gar&ccedil;om da picanha ser&aacute; o mais antigo da casa, o general da faca. &Eacute; o funcion&aacute;rio graduado, com medalhas de combate nos esbarr&otilde;es. Localiza os clientes pela col&ocirc;nia e tem a patente abaixo unicamente do dono do restaurante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seguida, descobriremos o protagonista dos fil&eacute;s, um agente secreto entre a cozinha e o bar, com informa&ccedil;&otilde;es quentes dos andares da churrasqueira e da disponibilidade real do frigor&iacute;fico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, os atendentes da maminha, do vazio, da alcatra e do lombinho, um terceiro escal&atilde;o ainda digno e solicitado, que costuma fazer o maior n&uacute;mero de piadas para galgar posi&ccedil;&otilde;es e a simpatia dos comensais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No quarto bloco, os amigos do matambre, da costela, do cupim e da costelinha de porco, um grupo modesto, com no m&aacute;ximo tr&ecirc;s anos de of&iacute;cio. Ambiciosos, por&eacute;m sofridos com o excesso de rondas. Recebem um sal&aacute;rio um pouco mais alto do que o guardador de carros. Escutam excessivas recusas, dependem de plant&atilde;o psicol&oacute;gico para suportar a desvalia e a negatividade do trabalho. Obrigados a explicar, a cada instante, que a “picanha j&aacute; vem”. S&atilde;o conhecidos como a esperan&ccedil;a do boi. Discutem o relacionamento de madrugada com a mulher, sempre inflex&iacute;vel com o posto do marido, teimando que ele &eacute; frouxo e deveria tentar se impor e aumentar as estrelas do avental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na rabeira, encontraremos os gurizotes. Sim, os estreantes, com espinhas na cara e barbicha de bode, admitidos recentemente no lugar, que necessitam experimentar priva&ccedil;&otilde;es e vexames para se tornarem homens duros e bravos, preparados ao selvagem atendimento do p&uacute;blico. Eles pastam mais do que passam. Respons&aacute;veis por carregar bandejas de cora&ccedil;&atilde;o de galinha, de salsich&atilde;o e de abacaxi. N&atilde;o desfrutam o direito de manejar espeto e l&acirc;minas de guerra. Estar&atilde;o abastecidos de pat&eacute;ticas colheres e pegadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Formam uma brigada inofensiva, de garotos de recados. Experimentam a suprema humilha&ccedil;&atilde;o numa churrascaria: s&atilde;o os &uacute;nicos gar&ccedil;ons desarmados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src=&quot;http://vidabreve.com/wp-content/themes/vidabreve/images/carpinejar.jpg&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Coluna no site &lt;a href=&quot;http://www.vidabreve.com/&quot;&gt;Vida Breve&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;</description>
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      <title>NO PALCOTalvez seja a &uacute;ltima palestra do ano. So ...</title>
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      <description>&lt;b&gt;NO PALCO&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez seja a &uacute;ltima palestra do ano. Sou o entrevistado do projeto &lt;b&gt;AUTORES E ATORES&lt;/b&gt;, do &lt;b&gt;Shopping Total&lt;/b&gt;, em Porto Alegre. A divertida &lt;b&gt;Laurita Le&atilde;o&lt;/b&gt; (&lt;b&gt;Lauro Ramalho&lt;/b&gt;) conduz o bate-papo. Do elenco da pe&ccedil;a &lt;i&gt;Filhote de Cruz Credo&lt;/i&gt;, participam &lt;b&gt;Gutto Szuster&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;Laura Medina&lt;/b&gt;. Na &lt;b&gt;Livraria Nobel&lt;/b&gt; (Crist&oacute;v&atilde;o Colombo, 545), &lt;b&gt;19h&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;Entrada Franca&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;</description>
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